Por Prof.ª Doutora Mónica Gomes Ferreira, Diretora da MS Mulher & Saúde Institute
A saúde sexual feminina é uma parte fundamental da saúde global da mulher — física, emocional e relacional. Contudo, continua a ser um tema muitas vezes silenciado, subvalorizado ou tratado de forma fragmentada.
“A sexualidade é uma expressão natural da saúde e da identidade feminina. Quando é negligenciada, não é apenas o desejo que se altera — é a autoestima, o equilíbrio hormonal e até o bem-estar mental”, explica a Prof.ª Doutora Mónica Gomes Ferreira, Diretora da MS Mulher & Saúde Institute.
1. A sexualidade feminina é multifatorial
A resposta sexual feminina resulta de uma interação complexa entre sistema hormonal, fluxo vascular, função neurológica, equilíbrio psicológico e contexto relacional. Por isso, alterações em qualquer um destes domínios podem afetar a qualidade da vida sexual.
Entre as causas mais comuns de disfunção sexual feminina encontram-se:
- Desejo sexual hipoativo;
- Dificuldade em atingir o orgasmo;
- Dor durante as relações (dispareunia);
- Secura vaginal;
- Alterações hormonais associadas à menopausa, parto ou stress crónico.
“Não há uma causa única para a disfunção sexual feminina. O que há são mulheres com histórias e corpos diferentes — e é aí que a medicina deve começar: pela escuta e pela personalização”, sublinha a Professora.
2. A importância da avaliação médica integrativa
A avaliação integrativa da saúde sexual deve ir além da simples análise ginecológica. Inclui a compreensão do estado hormonal, metabólico, psicológico e relacional da mulher.
No MS Mulher & Saúde Institute, o processo envolve:
- Análise hormonal detalhada (estrogénios, testosterona, DHEA, cortisol, prolactina);
- Avaliação do tónus pélvico e da vascularização genital;
- Estudo do impacto do stress, sono e nutrição;
- Abordagem psicoterapêutica e de comunicação relacional, quando necessário.
“Muitas vezes, o problema não está apenas na falta de hormonas, mas no excesso de stress, no cansaço emocional ou na ausência de conexão consigo própria. O corpo responde ao que a mente sente”, reforça a Prof.ª Mónica Gomes Ferreira.
3. Estratégias terapêuticas baseadas em evidência
As opções terapêuticas variam conforme a causa e podem combinar tratamentos médicos, hormonais, regenerativos e comportamentais.
Entre as intervenções mais utilizadas estão:
- Terapia hormonal personalizada (bioidêntica, quando indicada e monitorizada);
- Laser ou radiofrequência vaginal, para regeneração dos tecidos e melhoria da lubrificação;
- Terapias regenerativas com plasma rico em plaquetas (PRP) para aumentar a sensibilidade e a vascularização;
- Suplementação específica com compostos naturais que modulam o equilíbrio hormonal e o bem-estar sexual (como maca, tribulus terrestris, ómega-3, magnésio, zinco e vitamina D);
- Terapia sexual e psicoterapia cognitivo-comportamental, para restaurar o vínculo emocional e o desejo.
“O tratamento mais eficaz é sempre aquele que respeita a individualidade de cada mulher. A medicina deve ser feita com ciência, mas também com empatia e tempo”, defende a especialista.
4. Envelhecimento, menopausa e redescoberta
A menopausa continua a ser uma das fases mais desafiantes da saúde sexual feminina, mas também uma oportunidade de reconexão. As alterações hormonais podem provocar secura, dor e diminuição do desejo, mas a abordagem médica atual permite restaurar a função e a qualidade de vida com segurança.
“O envelhecimento não deve ser sinónimo de perda de sexualidade. Com acompanhamento adequado, é possível manter prazer, vitalidade e intimidade em todas as fases da vida”, afirma a Prof.ª Mónica Gomes Ferreira.
5. Uma visão integrativa da mulher
A saúde sexual é uma extensão da saúde emocional, hormonal e relacional. Cuidar da sexualidade feminina é cuidar da mulher no seu todo — do seu corpo, da sua mente e da sua identidade.
“Cada consulta é uma oportunidade de devolver à mulher o direito ao prazer e à autoconfiança. A medicina integrativa é, acima de tudo, uma medicina humanizada”, conclui a diretora da MS Mulher & Saúde Institute.
Conclusão
A Saúde Sexual Feminina deve ser abordada de forma multidimensional — unindo ciência, escuta e empatia. No MS Mulher & Saúde Institute, a missão é devolver às mulheres o equilíbrio físico, hormonal e emocional que sustenta uma vida sexual saudável e plena.
Porque cuidar da sexualidade é cuidar da saúde — e o corpo, quando compreendido e respeitado, responde com harmonia.



