Por Prof. Olivas Menayo, Diretor do Instituto Português do Lipedema
A cirurgia de lipedema — também conhecida como lipoaspiração tumescente ou microcannular especializada — é atualmente uma das abordagens terapêuticas mais eficazes para aliviar a dor, reduzir o volume e melhorar a mobilidade das mulheres com lipedema.
Apesar dos excelentes resultados possíveis, é fundamental compreender que se trata de um procedimento médico complexo, com riscos específicos e que requer uma avaliação e acompanhamento altamente especializados.
“A cirurgia de lipedema é uma ferramenta terapêutica poderosa, mas não é isenta de riscos. Exige um profundo conhecimento da anatomia linfática e uma execução cuidadosa para evitar complicações”, explica o Prof. Olivas Menayo, Diretor do Instituto Português do Lipedema.
Complicações possíveis e sua prevenção
As complicações cirúrgicas podem variar em gravidade. As mais frequentes incluem hematomas, seromas, fibrose, edema prolongado e irregularidades na pele. Embora geralmente transitórias, exigem vigilância e tratamento precoce para evitar sequelas.
Em situações mais graves — ainda que raras — podem ocorrer úlceras cutâneas, infeções locais e tromboembolismo venoso, incluindo trombose venosa profunda (TVP) e embolia pulmonar. Estas complicações, potencialmente sérias, estão associadas a fatores de risco individuais, como imobilização prolongada, varizes, obesidade ou antecedentes de distúrbios da coagulação.
“É essencial compreender que, mesmo em mãos experientes, a cirurgia de lipedema é uma intervenção com riscos reais. A prevenção começa muito antes do ato cirúrgico — na preparação adequada da paciente e na escolha criteriosa do momento certo para operar”, sublinha o Prof. Menayo.
Avaliação pré-operatória e fatores protetores
A avaliação pré-operatória detalhada é o primeiro passo para reduzir complicações. Deve incluir exames laboratoriais, avaliação vascular e linfática, e a otimização do estado nutricional e metabólico.
A adoção de medidas preventivas comprovadas, como profilaxia antitrombótica individualizada, utilização de meias compressivas, mobilização precoce após a cirurgia e controlo adequado da dor, é fundamental para minimizar o risco de eventos tromboembólicos.
“Prevenir é sempre melhor do que tratar. A nossa prioridade é preparar a paciente de forma global — nutricional, vascular e emocionalmente — para que o corpo esteja em condições ideais no momento da cirurgia”, acrescenta o Prof. Menayo.
Seguimento pós-operatório: o papel do acompanhamento próximo
Um seguimento clínico próximo e contínuo é determinante para identificar sinais precoces de complicações e intervir de forma imediata.
“O acompanhamento nas primeiras semanas é crítico. Uma pequena alteração na cor da pele pode indicar o início de uma úlcera; um edema persistente pode sinalizar linfostase; uma dor súbita na perna pode ser um alerta de trombose. É por isso que defendemos um seguimento muito próximo das nossas pacientes”, explica o professor.
Durante o pós-operatório, recomenda-se:
- Vigilância médica regular nas primeiras semanas;
- Terapia compressiva adequada e contínua;
- Fisioterapia e drenagem linfática manual supervisionadas;
- Hidratação e mobilização precoce;
- Monitorização de sinais de infeção, inflamação ou alterações cutâneas.
Caso surjam complicações como úlceras cutâneas, estas devem ser tratadas de forma precoce com cuidados locais especializados, controlo de infeção e apoio multidisciplinar, evitando a progressão da lesão.
Conclusão: segurança e proximidade como pilares de sucesso
A cirurgia de lipedema pode transformar a vida das pacientes — mas apenas quando realizada com rigor técnico, prudência e um compromisso firme com a segurança.
“No Instituto Português do Lipedema, colocamos a segurança da paciente acima de tudo. Cada caso é estudado em detalhe, e o acompanhamento pós-operatório é contínuo. A prevenção e a deteção precoce das complicações são parte integrante do nosso protocolo de excelência”, conclui o Prof. Olivas Menayo.



